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Família em crise favorece a violência nas escolas

sexta-feira, 8 de julho de 2011


A agressividade dos alunos nas escolas cada vez mais vem chamando a atenção da comunidade escolar. É um assunto polêmico, pois o comportamento agressivo em crianças e adolescentes esta alcançando grandes proporções. Fortes questões sociais como o desemprego, a falta de moradia, a fome, o descuido com a saúde e a falta de uma educação de qualidade vêm abalando a estrutura familiar e refletindo no contexto escolar. A criança reproduz o que ela vivencia.

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A escola e a sociedade mudaram. A tolerância
com relação a comportamentos confunde-se
com a falta de respeito ao outro
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A família está com valores e critérios em crise. Onde antes quase tudo era proibido, agora não se sabe mais as regras para a educação e o papel de pais, escola e sociedade como educadores. Muitas vezes, ao invés de impor restrições, cortar privilégios e punir, opta-se pelo “conversar” frustrante e repetitivo, que não ajuda a crescer. Aquilo que não se aprende em casa com amor aprende-se na vida com dor, como bem mostram os nossos noticiários.

Outrora, questões educacionais eram melhores distribuídas entre a família, a igreja, a rua, a praça, outras instituições socio-culturais e a própria escola.O que nós temos hoje é, muitas vezes, crianças que vão à escola e que fazem dela não um lugar de aprendizagem, mas de oportunidade para uma série de outras coisas, refletindo aquilo que vemos nas ruas, nas casas e numa série de lugares. Assim, nós professores encontramos em nossa prática de docência um grande dilema: cuidar da violência ou cuidar do ensino, porque parte do tempo das aulas gastamos contendo a violência, tentando recuperar a atenção do aluno, a disciplina.

A respeito da violência que afeta o ambiente escolar, vale ressaltar que, tanto a realidade social (família, escola, amigos), quanto os estímulos gerados pela mídia, especialmente a televisão, podem interferir sensivelmente na formação de indivíduos agressivos, os quais utilizam a agressividade como estratégia de resolução de problemas cotidianos, dentro e fora do ambiente escolar. Crianças que não são capazes de absorver eficientemente informações nem lidar bem com as mesmas, ou sofrem qualquer tipo de discriminação, geralmente, são aquelas zangadas, ansiosas, deprimidas e violentas.

Estas emoções negativas distorcem a atenção da criança das suas preocupações, o que representa maior possibilidade de envolverem-se em situações de risco e de levar suas vidas para o mundo das drogas, do crime e do álcool. Para entender melhor essa situação é só imaginarmos o que ocorre em boa parte dos lares brasileiros: A criança que usa mal a TV durante o dia por ficar longe de seus pais que estão trabalhando fora, o que hoje é uma exigência, normalmente tem como modelo um pai que chega em casa cansado, cheio de preocupações, querendo esquecer o mundo e que liga a mesma TV para assistir um filme ou programa que na sua grande maioria não têm modelos positivos. A criança meio que repete o modelo ou ainda assiste novelas que muitas vezes trabalham temas que não interessantes. O complicado é a falta do modelo positivo, porque uma criança que o tem, possui outras referências.

Perguntamos, quais valores e limites essa criança irá aprender? Os dos programas da TV ou do pai? Devemos nos preocupar, pois não vivemos isolados numa ilha; e um dos fatores que explicaria a violência seria a questão dos limites. Devemos refletir sobre isso! Não são as crianças e jovens que não têm limites. Eu diria que somos nós, adultos e pais de hoje, que não temos limites. Trabalhamos sábado, domingo, atendendo celular, fazendo três ou quatro coisas ao mesmo tempo. Somos pressionados pelo modelo social que põe cada vez mais compromissos em nossa agenda, num dia que continua com 24 horas, num salário que continua o mesmo.

Somos nos adultos que não conseguimos coordenar o nosso relacionamento como pais com nossos horários, pauta, agenda e educação dos nossos filhos. Se alguém não tem limites, somos nós, as crianças podem não ter limites, nós adultos é que devemos tê-los. Crianças não têm limites como nunca tiveram, porque faz parte justamente da educação aprender limites, entendendo por limites, regras que definem o proibido, o permitido, a melhor direção para as coisas. Esses limites a gente aprende, as crianças aprendem com os adultos, em especial com os pais, pois ser pai é estar presente, posicionado, ser amigo, mas não igual ao filho, porque há uma hierarquia a ser seguida e respeitada. Autoridade se conquista com o respeito e a admiração do filho pelo pai que deve estar sempre presente, e isso deve se estender ao convívio social no mais amplo sentido.

Rosângela Fernandes Cadidé é professora há 10 anos das redes pública e particular, formada em Letras com Especialização em Recreação e Lazer pela Universidade Federação de MT e escreve neste blog às sextas - rosangelacadide@hotmail.com

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